A escola que virá

A escola que virá

Iniciativa da Fundação Santillana convida a refletir sobre o futuro da educação na Ibero-América sob os impactos da COVID-19

Uma instituição como a Fundação Santillana, dedicada há várias décadas a promover debate e reflexão para contribuir com a melhoria da qualidade da educação, não pode ignorar o impacto que a crise sanitária está provocando na vida de alunos, professores, centros educativos, famílias e administrações educacionais. Não pode pelo seu compromisso com a educação na Ibero-América; não pode pela sua vocação de dar visibilidade a vozes e experiências que enriqueçam as análises e as propostas; não pode porque estamos diante de uma situação absolutamente desconhecida e inédita que precisa de respostas; não pode porque estamos perante uma modificação do paradigma educacional. Não pode porque o que temos diante é um desafio de enorme importância em relação à forma como entendemos o conceito de educação.

Para enfrentar essa situação de emergência e o confinamento, nos vimos obrigados a improvisar durante o caminho, a perguntar aos colegas, a inventar soluções, a utilizar ferramentas com pouca competência… E, evidentemente, a dar o melhor de nós mesmos como instituição, como professor, como pai de família. E, como resultado, todos tivemos uma nova experiência da qual também tiramos lições e aprendizados. Por exemplo, conhecemos o valor das tecnologias para a educação, questão sobre a qual se falava há uma década e meia, e que ainda não tinha sido capaz de encontrar seu lugar nas salas de aula de forma sólida e duradoura. Do mesmo modo, podemos ilustrar esta vivência com a realidade oposta: descobrimos o infinito valor das relações pessoais (com os professores, com os colegas de trabalho), valor do qual tivemos que nos ver privados para reconhecer a importância que, talvez, até agora estava escondida na cotidianidade como uma rotina mais. Passamos a sentir falta de algo tão simples quanto ir todas as manhãs à escola; sentimos falta de algo trivial como contar com a presença dificilmente substituível de um professor. Definitivamente, aprendemos em um duplo sentido: sobre o novo que surgiu (a distância) e sobre o que já tínhamos e considerávamos em crise de obsolescência.

Deveríamos aproveitar a oportunidade para fazer um exercício de equilíbrio, fugindo tanto de visões apocalípticas como do efeito pêndulo, ambos tão próprios do mundo educativo. E deveríamos tirar um tempo para refletir com calma e com profundidade, para abrir a comunidade educativa a outras vozes, para envolver as políticas da educação… Já não há desculpas para não encarar a definição de o que e como deve ser a educação do século XXI. O que mais vamos esperar? Vivemos uma transformação de dimensões históricas com a globalização e a Sociedade da Internet; agora enfrentamos uma pandemia que nos obrigou a construir de forma improvisada um sistema educacional paralelo, tarefa para a qual não estávamos preparados.

A Fundação imagina uma volta à normalidade (ou à “nova normalidade”) na qual se produza de forma natural uma convivência entre a escola existente (presencial) e a escola tecnológica (digital, virtual, a distância, assíncrona) para, com ambas as realidades, criar “a educação que virá” e colocar em andamento um programa para gerar um ponto de encontro para abordar esta questão. O que vamos obter será um ponto de vista, uma proposta que aspira a se juntar a outras e, por isso, abordaremos esta iniciativa contando com a colaboração de instituições e órgãos internacionais. As circunstâncias, nunca antes vividas (talvez nem sequer concebidas), levaram todos os agentes da comunidade educativa a se verem igualmente envolvidos em uma experiência educacional inédita, que deveria gerar um “mínimo comum”, um acordo tácito sobre a necessidade de definir um novo paradigma, integrador, sintético, equilibrado, no qual cada forma de fazer educação tenha seu lugar por ser pertinente (e não pela modernidade), por sua eficácia (e não pela inércia de mudar por inovar), por ter sentido pedagógico e educativo.

É um momento decisivo. É uma reflexão obrigatória. É uma oportunidade de fazer isso dialogando. É a oportunidade para fazer isso com base na experiência vivida e não em teorias. É uma oportunidade para fazer isso juntos e tornar realidade essa aspiração da Fundação Santillana: “A educação que nos une”.

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