Democracia e escola: múltiplos olhares para a cidadania

Democracia e escola: múltiplos olhares para a cidadania

Webinário discute papel da escola para a formação de jovens críticos, e os instrumentos para que professores abordem temas cidadãos em sala de aula

Como abordar conquistas democráticas fundamentais em sala de aula e contribuir para a formação cidadã de crianças e jovens?

A partir desta pergunta, André Lázaro e Miguel Thompson recebem o cientista político Sérgio Fausto, Diretor Geral da Fundação FHC, e Beatriz Kipnis, assistente de estudos e debates da Fundação FHC para um debate sobre os múltiplos olhares para a cidadania. O diálogo baseia-se no material “Linhas do Tempo”, uma curadoria sobre diferentes direitos construídos na história recente do Brasil, disponível online: https://linhasdotempo.fundacaofhc.org.br/

Assista ao webinário na íntegra:

Educação e cidadania: BNCC e a formação do pensamento crítico

Educação e cidadania: BNCC e a formação do pensamento crítico

Webinário debate as potencialidades e limitações da base na formação de estudantes, e o impacto dos currículos no contexto da pandemia

Como a BNCC pode contribuir para formar estudantes críticos e criativos, mesmo considerando as imensas desigualdades sociais que afetam as escolas e as trajetórias educacionais de boa parte da população?

A partir desta pergunta, André Lázaro e Miguel Thompson conduzem o bate-papo com dois especialistas no assunto: Eduardo Deschamps, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) e Diego Calegari, fundador do Politize!, organização que promove a educação cidadã de maneira descontraída.

Criatividade, pensamento crítico, compromisso cidadão: esses valores já estavam na agenda de pedagogias e pedagogos brasileiros há muito tempo. O que a BNCC inova ao traduzir essas qualidades em competências?

Assista a íntegra do bate-papo no YouTube:

Enem e Pisa: Avaliações em escala e formação integral

Enem e Pisa: Avaliações em escala e formação integral

Webinário traz debate sobre impactos das metodologias avaliativas na formação de cidadãos críticos e capazes de transformar o mundo

O que avaliam, de fato, as avaliações em larga escala? Quem avalia as avaliações e o que nos dizem? Qual o peso das avaliações na determinação dos currículos? A BNCC terá força pra transformar as avaliações? Como o "novo Ensino Médio" vai impactar as avaliações?

Para debater estas questões e seus impactos durante a pandemia e após a reabertura das escolas, André Lázaro e Miguel Thompson recebem dois especialistas em avaliação: os professores Chico Soares, membro do Conselho Nacional de Educação, e Cesar Nunes, membro do Comitê Internacional da OCDE para Pesquisa e Inovação no Pisa.

Assista a íntegra do bate-papo no YouTube:

Pandemia amplia abismo entre escolas públicas e privadas no Brasil

Pandemia amplia abismo entre escolas públicas e privadas no Brasil

No estado de São Paulo, mais rico do país, apenas 50% dos estudantes havia acessado o aplicativo de aulas a distância

Por Miguel Thompson*

A situação escancara o abismo socioeconômico existente no Brasil, da diferença de renda ao acesso a serviços públicos como educação e saúde.

Na educação, estamos constatando a enorme disparidade entre os serviços das instituições públicas e privadas e as condições de estudos de jovens de diferentes classes sociais.

Se, em tempos normais, a garantia do direito à educação é um desafio que exige planejamento e visão, em tempos de crise esses elementos se tornam literalmente vitais.

A falta de uma estratégia nacional de ação educativa é um fator que afeta a todos. Estados, municípios e setor privado buscam encontrar alternativas para manter e levar a melhor educação possível em uma situação emergencial.

A resistência na mudança de datas do Enem já trouxe prejuízos para todos os estudantes, principalmente os das escolas públicas, incutindo desânimo e abandono temporário do projeto universitário.

As redes estaduais de ensino têm sido ágeis em encontrar alternativas para oferecer aulas e materiais didáticos aos alunos, mas muitos problemas vão emergindo a cada dia, desde uma formação frágil em didáticas online dos professores —que vêm lutando para preparar aulas virtuais—até a falta de tecnologia.

Mesmo no estado de São Paulo, o mais rico do país, há alguns dias apenas 50% dos estudantes havia acessado o aplicativo de aulas a distância.

Podemos dizer que este resultado se deve à falta de informação dos jovens, inabilidades com a tecnologia, falta de aparelhos de acesso ou de conectividade à internet.

Lembremos que até casos de falta de alimentação surgiram na quarentena, o que impede a condição humana básica para qualquer outra atividade.

A demora de recebimento dos recursos oferecidos pelo governo federal também é fator que causa desvio de foco dos estudantes, que precisam buscar outros afazeres para a manutenção de sua família.

Não faltam exemplos de situações prosaicas, como a ausência de local adequado aos estudos, o que prejudica a preparação para um exame tão importante para os jovens.

Muitos pais e mães das famílias mais pobres não podem cumprir quarentena em razão da vulnerabilidade econômica de seus lares.

Nesse sentido, mais preocupante é a condição das meninas, que acumulam a condição de gestora da casa, cuidadora dos irmãos e mesmo de uma maternidade precoce.

Como competir com jovens das escolas privadas, com melhor acesso à internet, espaços adequados de estudo e focados no objetivo de fazer um bom Enem?

Nos últimos anos houve notável esforço para garantir que os brasileiros tivessem acesso à educação. No ensino médio, saímos de 51% de jovens até 19 anos concluindo esta etapa em 2012 para 63,6% em 2018.

A somatória de uma pandemia com políticas equivocadas pode destruir não só as vidas das pessoas mas também o sonho dos jovens.

Sem a ação conjunta de entes federativos, setor privado e organizações não governamentais, veremos aumentar esse distanciamento social que a duras penas a nação tem tentado diminuir.

*Texto publicado originalmente no jornal Folha de S.Paulo em 30/05/2020

O gesto, as artes e a neurociência para o desenvolvimento da alfabetização

O gesto, as artes e a neurociência para o desenvolvimento da alfabetização

Webinário discute a relação entre corpo e mente: como se dá a formação integral em um mundo virtual

André Lázaro e Miguel Thompson receberam a pesquisadora Elvira Souza Lima e o educador Ivaldo Bertazzo para refletir sobre os desafios da formação integral, corpo e mente no espaço virtual.

O isolamento social imposto pela pandemia está levando a educação para o espaço digital. Neste contexto, como trabalhar a corporalidade a distância? Quais os prejuízos que a falta do encontro físico pode causar? O que podemos mudar na formação integral dos jovens quando for possível estar junto novamente?

Para debater estas questões, convidamos um especialista em educação do corpo e transformação do gesto como manifestação da própria individualidade, e uma especialista em desenvolvimento humano na perspectiva biológica-cultural.

Elvira Souza Lima tem formação em neurociência, antropologia, música e psicologia. É doutora pela Sorbonne e tem pós-doutorado pela Stanford University. Sua pesquisa se concentra na área da neurociência e da cultura aplicadas à educação.

Ivaldo Bertazzo viajou o mundo incorporando movimentos e a cultura gestual de diversos lugares ao seu trabalho, criando a Escola Ivaldo Bertazzo e o Método Bertazzo de Reeducação do Movimento. É autor de seis livros e atua diretamente com a formação de profissionais das áreas de saúde, educação, arte e do esporte.

Confira a íntegra do bate-papo no vídeo:

Redes sociais na pandemia: o que precisamos aprender?

Redes sociais na pandemia: o que precisamos aprender?

Webinário discute potencialidades e prejuízos das redes em um momento de incertezas e isolamento social

André Lázaro e Miguel Thompson recebem Antônio Gois e Pablo Ortellado para refletir sobre o que é preciso aprender sobre as redes sociais em tempos de pandemia.

As redes sociais já eram parte importante das vidas das pessoas, e ganharam uma importância diferente com o isolamento social em consequência da pandemia.

Pensando nisso, convidamos dois especialistas nas relações entre mídias, política e educação para refletirem sobre as dicotomias da nossa relação com as redes. Afinal, elas contribuem positivamente para o desenvolvimento da sociedade ou criam mais distúrbios que benefícios? Podem trazer problemas psicológicos e mesmo desorientações sociais? A situação de confinamento agrava ou mitiga as tensões?

Antônio Góis é jornalista, colunista do jornal O Globo e presidente da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca). Conheça o livro “Quatro décadas de gestão educacional no Brasil - Políticas públicas do MEC em depoimentos de ex-ministros”.

Pablo Ortellado é professor de Gestão de Políticas Públicas na USP e coordenador do Monitor do Debate Político no Meio Digital. Conheça o livro “Sobrevivendo nas Redes: Guia do Cidadão”.

Confira o vídeo com a íntegra do bate-papo:

A escola e a cultura juvenil

A escola e a cultura juvenil

Reformas curriculares: adequando a educação ao novo mundo

Por Miguel Thompson, diretor Acadêmico da Fundação Santillana no Brasil
*Texto originalmente publicado na edição 18 da Revista Educatrix

A escola contemporânea se organizou em disciplinas escolares, herdeiras do movimento Enciclopedista do século XVIII, baseado na organização do conhecimento acadêmico. De certa forma, os currículos escolares domesticaram a cultura com programas hierarquizados e conceitos rigidamente interligados a serem transmitidos aos alunos. Assim, conhecimentos de fora do meio acadêmico, obtidos pela experiência dos jovens com seu entorno e com forte tradição popular, foram abandonados pelo processo de ensino. Esse discurso hermético, de definições, conceitos e modelos, além de não dialogar com os educandos, não tem sido capaz de explicar o mundo para os jovens: um conhecimento fechado apenas à escola e para a escola.

Preocupados com a progressiva distância da educação escolar com o mundo, alguns países promovem reformas curriculares para transformar a educação em um processo mais significativo para os jovens e efetivo para a resolução de problemas, em um mundo dinâmico e complexo. Os currículos tradicionais, ainda sob forte influência da Revolução Industrial e da verticalização conceitual, vêm sendo modificados, deslocando a centralidade disciplinar para o aprendizado, a compreensão e a resolução de problemas. Com base nas ideias de Kant, utilizadas por Piaget para o desenvolvimento da sua teoria do conhecimento, não se pretende mais um conhecimento em que os estudantes sejam uma tábula rasa, meros repositórios de informações. As vivências dos jovens, suas experiências e as rápidas transformações do mundo contemporâneo passaram a ser vetores importantes para a elaboração de políticas públicas educacionais. O dinamismo do mundo atual e a velocidade com que novos conhecimentos são sistematizados, nem sempre associados ao meio acadêmico, exigem que os currículos escolares passem a ser mais porosos ao mundo e interativos com os conhecimentos prévios dos jovens.

Por outro lado, saber individualmente o que pensam os estudantes sobre cada tópico é pouco factível em salas de aula lotadas. Como abarcar o conhecimento dos jovens, interagir com os conteúdos escolares e produzir sínteses efetivas para o desenvolvimento estudantil? Abordar os processos socioculturais contribui decisivamente para construir uma escola mais contextualizada e significativa. A cultura jovem deve ser parte integrante do planejamento escolar, como forma de trazer o imaginário dos jovens e aproximá-los dos saberes escolares, enriquecendo as aulas com novos conhecimentos vindos deles.

Puberdade e adolescência

Partindo de uma premissa construtivista, é importante entender o desenvolvimento dos jovens. A puberdade é o processo de transformação fisiológica, anatômica e psíquica que marca a passagem da infância para a juventude. É um fenômeno comum para todos os seres humanos, embora seja diferente para cada sexo biológico. Já a adolescência é um fenômeno histórico, sociocultural, localizado no tempo e no espaço. Ao contrário dos estereótipos sobre a juventude, pode-se afirmar que existem várias adolescências, determinadas por diversidade de grupos, atitudes, comportamentos, gostos, valores, filosofias de vida, níveis econômicos e regiões.

Nem sempre se considerou a adolescência como uma fase do ciclo de vida. A Organização das Nações Unidas (ONU) delimita a adolescência à faixa que vai de 10 a 20 anos. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) descreve essa fase entre os 12 e os 18 anos. Mudanças culturais e socioeconômicas vêm estendendo essa faixa até cerca de 30 anos, seja pela diminuição do número de filhos na família, ampliando o foco de atenção dos pais aos filhos, seja por questões econômicas, que obrigam o jovem adulto a viver com a família original por mais tempo. De qualquer forma, o status de adolescência como uma fase formal do ciclo de vida foi definido no início do século XX, a partir dos estudos do psicólogo Stanley Hall.

A adolescência ao longo da história

A adolescência sempre foi uma preocupação da sociedade, apenas não era considerada uma fase diferenciada, como a infância e a vida adulta. Na Grécia Antiga, a imagem mitológica de Eros era a representação ora de uma criança na forma de anjo, ora de um adolescente, descrito como mimado e irascível, a distribuir sentimentos passionais para aqueles que flechava. Em muitos relatos, é possível identificar as relações conflituosas entre Eros e outros deuses. Nada diferente do estereótipo que temos dos adolescentes de hoje. Havia uma preocupação também do contato entre jovens e adultos. A famosa condenação de Sócrates foi decorrente da acusação de o filósofo degenerar os mais jovens com suas ideias e comportamento. Muitas são as culturas e religiões que possuem cerimônias ou rituais que demarcam a passagem da infância para a juventude e do jovem para a vida adulta. Na Idade Média, o sistema feudal exigia que as crianças trabalhassem assim que desenvolvessem autonomia, sendo tratadas como adultos em miniatura, sem que houvesse uma ideia de juventude.

Shakespeare foi um dos primeiros escritores a descrever uma forte reação dos jovens contra as tradições dos adultos em Romeu e Julieta. Romeu tinha 17 anos, e Julieta, 13. O movimento Romântico (séc. XVIII-XIX) apresenta características típicas dos jovens adolescentes, como o subjetivismo, a idealização, o sentimentalismo, o egocentrismo (culto ao eu interior), o escape psicológico (nostalgia da infância e a idealização de um passado medieval), a necessidade de liberdade de criação, o pessimismo (protagonistas com profunda tristeza, angústia, solidão, inquietação, desespero). O romance Os sofrimentos do jovem Werther (1774), de Goethe, foi proibido e acusado de incentivar o suicídio entre os jovens – preocupação parecida com a recente série televisiva 13 reasons why (13 razões porquê) e com o suposto “Jogo da Baleia Azul”. A ideia de indivíduo passa a ser cada vez mais fomentada pela associação do Romantismo com a filosofia liberal. Nesse período, surge o Romance de formação, em que se descrevem as agruras do processo de desenvolvimento da juventude, com Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister, de Goethe. Obras como As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger, e Harry Potter, de J. K. Rowling, são herdeiros dessa tradição. A cultura jovem deve ser parte do planejamento, como forma de trazer o imaginário dos jovens e aproximá-los dos saberes escolares.

O século XIX é repleto de literaturas focadas na adolescência. Os irmãos Grimm pesquisaram contos com adolescentes como protagonistas, em rituais de passagem para a vida adulta. A partir da tradição oral, compilaram as histórias de Branca de Neve, Rapunzel e Cinderela. Uma versão moderna é a empoderada Elsa, de Frozen, muito mais adequada para as adolescentes feministas atuais.

No final do século XIX, uma icônica referência foi a do poeta Arthur Rimbaud, que produziu toda sua poesia enquanto era adolescente, abandonando a produção literária aos 20 anos. Sua foto adolescente é uma das mais conhecidas representações de juventude do Ocidente. Nessa época, inicia-se o ideal de juventude como desejo da sociedade. Oscar Wilde escreveu O Retrato de Dorian Gray, em 1890, representando um jovem que jamais envelhecia.

O século XX foi uma grande ode à adolescência. Com o processo de urbanização e a revolução industrial acelerada no século XIX foi preciso intensificar a formação dos jovens para o mundo do trabalho, massificando a educação e os agrupando em faixas etárias, como nas linhas de montagem. Por outro lado, milhares de jovens morreram na Primeira Guerra Mundial, ampliando nas famílias o desejo de proteger e de dar mais atenção a seus filhos. A urbanização, as aglomerações urbanas, a locomoção mais rápida com o advento do automóvel e outras mudanças culturais aproximaram os jovens, que passaram a construir um rápido processo de imaginário coletivo.

A partir da Segunda Guerra Mundial, com o advento da bomba atômica, uma revolta contra o mundo adulto passa a tomar conta de parte da população jovem. James Dean pode ser visto como uma espécie de Rimbaud/Dorian Gray, sendo a encarnação dessa “juventude transviada”. O rock’n’roll passa a ser um mantra entre os adolescentes urbanos, vindo dos Estados Unidos, contaminando todo mundo ocidental, com um forte apelo ao consumo, principalmente pela rápida popularização da televisão. Foi possível o desenvolvimento de uma cultura juvenil pelo amplo processo de escolarização dos jovens e pelo retardamento da entrada destes na vida adulta, passando a ter mais tempo para interagir com colegas de mesma idade, sem uma pauta de produtividade. Movimentos culturais como os beatniks e contracultura hippie dos anos 1960 foram o coroamento da centralidade do jovem no mundo contemporâneo. Dos discursos identitários sessentistas vieram o feminismo, o movimento LGBT, a luta antirracista, o movimento ambiental e o ativismo político.

Hoje, não é difícil encontrar estudantes que se identificam com alguma dessas causas.
A ideia da adolescência como fase de vida é uma construção que vem se consolidando socialmente em especial nos últimos 200 anos, não como um comportamento único, mas plural, com diferentes grupos identitários que podem se agrupar em tribos urbanas modernas e que se bem compreendidas podem ajudar no planejamento do processo de ensino-aprendizagem, contribuindo para uma passagem menos conflituosa.

A cultura jovem no Brasil

Conhecer a cultura jovem, identificar entre os alunos esses grupos culturais e intermediar o conhecimento formal com a cultura de massa é uma boa estratégia para dar maior significado ao conhecimento em qualquer disciplina. Para muitos conteúdos, seja pela característica ou pelo contexto dos períodos em que os conhecimentos foram formalizados, conectar a cultura juvenil ao conteúdo escolar pode despertar a curiosidade e o engajamento no processo individual e coletivo de aprendizado. Em 2018, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em uma ação extremamente arrojada, inseriu em sua lista de preparação para o vestibular o álbum Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MC, grupo de rap com ampla penetração entre os jovens.

Mais do que estudar para o vestibular, a Unicamp aponta que a cultura jovem é um conhecimento a ser considerado pela escola. São muitos os diferentes campos da cultura pop que podemos conhecer e utilizar nos planos de aula. Veja alguns exemplos:

► O rock

Há uma farta produção bibliográfica e cinematográfica sobre o rock no Brasil, suas origens e penetração como força cultural. Uma boa dica é assistir ao filme biográfico de Erasmo Carlos, Minha Fama de Mau. O filme aborda principalmente a formação e a consolidação da cultura juvenil no Brasil entre 1950 e 1960. O rápido processo de urbanização e estratificação social do período, a expansão da classe operária e da classe média. Essa base de mudanças abriu espaço para o desenvolvimento de uma cultura de consumo.

O sertanejo

A migração da música caipira, profundamente enraizada no mundo rural, para o meio urbano, fundindo-se com o iê-iê-iê da Jovem Guarda, deu origem à música sertaneja. Há muitas variações do ritmo, como o sertanejo universitário, voltado para um público jovem e caracterizado pelo afastamento do cenário e dos valores da tradição rural. As temáticas exploram a importância do dinheiro, o universo das baladas, as conquistas amorosas, os namoros rápidos e a “sofrência”.

O funk no brasil

O funk brasileiro vive há quase duas décadas entre extremos de aceitação e repúdio. As músicas são executadas milhões de vezes no Youtube e no Spotify. O ritmo surgiu nos anos 1960 como expressão da cultura negra norte-americana e chegou ao Brasil nos anos 1970, principalmente no Rio de Janeiro e em menor expressão em São Paulo. Executado em bailes comandados por DJs, rapidamente foi assumindo uma cultura particular, com seus MCs. Um dos principais influenciadores do funk no Brasil foi o antropólogo Hermano Vianna, como objeto de pesquisa acadêmica. Aqui, a Academia foi em busca da cultura popular.

O geek e o nerd

A Comic Con e a Campus Party são dois dos eventos mais importantes da cultura geek e nerd. Só no Brasil, cerca de 300 mil jovens visitam a Comic Con, onde é exposto o que se tem de mais relevante na cultura de quadrinhos, cinema, televisão e games. Acompanhar as notícias ou participar desses eventos nos dá um bom upgrade sobre essa cultura. Há uma intensa ressignificação desses jovens consumidores. A partir de seriados de televisão como The Big Bang Teory e Silicon Valley, bem como a exposição constante de ícones da tecnologia como Steve Jobs e Bill Gates, muitos jovens passaram a apreciar essa cultura; o antigo CDF tornou-se cool, não mais o típico jovem a sofrer bullying. Passa a ser um estilo de vida construído a partir do consumo e das novas concepções de juventude e de trabalhador ideal para o mundo da quarta revolução industrial. Uma junção de cultura do entretenimento e da tecnologia passa a definir identidades juvenis. O jovem de hoje valoriza a diversidade de ideias e culturas e busca mais participação em atividades sociais e cívicas de seu entorno. A escola precisa representar esse espaço de múltiplos diálogos.

O ativista

Os anos 60 foram ricos em manifestações políticas da juventude. Muitas dessas causas se expressam hoje nos jovens do Ensino Básico. Entender esses movimentos ajuda a preparar nossos planejamentos da maneira mais significativa para os estudantes. Movimentos como o de junho de 2013 tiveram origem no protesto de jovens contra o aumento de passagem de ônibus urbanos. Em poucas semanas o país foi tomado pelo movimento, que ampliou suas pautas e tornou-se mais complexo.

Em uma linha similar de movimentação de jovens, menos politizada, mas também de grande importância, podemos colocar os rolezinhos que ocorreram no final de 2013 e em parte de 2014, quando jovens de classe média baixa se espalharam por todo Brasil, passeando em grupos em vários shoppings a que comumente não tinham acesso e nem eram bem-vindos.

As ocupações das escolas públicas foram um misto de rolezinhos com as jornadas de junho de 2013, pelo ato de ocupação e pela ação política. O processo de organização dos protestos gerou uma dinâmica de organização coletiva que forjou novas relações sociais, tanto entre os estudantes, como entre eles e os professores e as direções das escolas. A ideia de grêmios escolares geridos horizontalmente, sem relações hierárquicas, foi um dos pontos-chave do movimento. Em pouco tempo escolas de São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná e Espírito Santo foram ocupadas.

Nesses movimentos, as meninas tiveram um papel preponderante. Paralelamente às ocupações estudantis, vimos as jovens brasileiras se apropriarem de um debate político e feminista com camisetas com os dizeres “Lute como uma garota” pelas escolas. É importante destacar os recentes movimentos feministas como o #MeToo dos Estados Unidos que fala contra o abuso masculino e se posiciona a favor dos direitos das mulheres.

Em síntese

A nova geração das múltiplas culturas tem um comportamento global, com grande afinidade à diversidade, em que muitos participam de atividades cívicas. São colaboradores naturais, prezando a liberdade de escolha e tendem à personalização das coisas, uma geração que sai de um comportamento passivo frente à televisão para uma interação constante com as mídias digitais. Ao contrário das gerações passadas, querem se divertir, seja na escola, seja em movimentos cívicos ou no trabalho, o que não retira deles a responsabilidade pela entrega com qualidade. Vivem em um mundo veloz e aceitam a inovação como elemento natural da vida. O modelo fabril do século XX vai sendo substituído pelo ateliê do artesão, o estúdio do artista, a oficina de consertos ou, por que não, em um grande salão de festas.

Para saber mais


Campos, A. J. M.; Medeiros, J.; Ribeiro, M. M. Escolas de luta. São Paulo: Veneta, 2016.
Carr, N. A geração superficial: o que a Internet está fazendo com nossos cérebros. Rio de Janeiro: Agir, 2011.
Pinheiro-Machado, R. Amanhã vai ser maior: o que aconteceu com o Brasil e as possíveis rotas de fuga para a crise atual. São Paulo: Planeta do Brasil, 2019.
Prensky, M. Enseñar a nativos digitales. UE: Ediciones SM, 2011.
Rocha, C. Popular e perseguido, funk se transformou no som que faz o Brasil dançar. Disponível em: nexojornal.com.br. Acesso em: 6 jan. 2020.
Santos, P. M. dos. O Nerd virou cool: consumo, estilo de vida e identidade de uma cultura jovem em ascensão. Dissertação de Mestrado: Universidade Federal Fluminense, 2014.
Schoen-Ferreira, T. H.; Aznar-Farias, M.; Silvares, E. F. de M. Adolescência através dos séculos. Psicologia: Teoria e Pesquisa. abr.-jun. 2010, v. 26, n.2, pp. 227-234.
Tapscott, D. A hora da geração digital: como os jovens que cresceram usando a Internet estão mudando tudo, das empresas aos governos. Rio de Janeiro: Agir Negócios, 2010.
Zimmermann, M. Erasmo Carlos e sua fama de mau: o rock e a cultura juvenil no Brasil (1950-60). Disponível em: mod.lk/ed18pano. Acesso em: 10 fev. 2020.

 

O corona como metáfora

O corona como metáfora

A complexidade da pandemia como representação dos desafios da educação contemporânea

Por Miguel Thompson, diretor Acadêmico da Fundação Santillana no Brasil


Uma das primeiras representações de divisão do conhecimento que temos notícia foi a partir das reflexões de Pitágoras de Samos, que acreditava que deveríamos separar o entendimento do mundo partir de duas orientações: uma focada no âmbito humano e outra focada no âmbito natural. Esse modelo influenciou toda a filosofia clássica Grega. Na forma de “Artes liberais Clássicas”, retórica e gramática se organizavam em um campo, geometria e astronomia em outro. Na Idade Média, os currículos se dividiram no Trivium (lógica, gramática e retórica) e Quadrivium (aritmética, música, geometria e astronomia). A segmentação curricular se acentua no Iluminismo, movimento cultural iniciado na Europa no século XVII, que dá origem a muitas das especializações dos currículos escolares contemporâneos. As artes liberais se transformaram em Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Linguagem e Matemática.


A escola pública nasceu nesse processo de especialização e fragmentação do conhecimento. Esse arranjo curricular foi fundamental para o desenvolvimento dos paradigmas disciplinares e o aperfeiçoamento e aprofundamento do conhecimento acadêmico. Os meios de produção se beneficiaram dessa maneira de estruturar o mundo, aprofundando os processos de divisão e especialização do trabalho para o aumento de eficiência das linhas de montagem.
Nessa longa historia, de construção de modelos de pensar, da Grécia antiga à revolução industrial, aconteceu um grande processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento do conhecimento especializado, que muito beneficia nossa espécie. Gerações e gerações favoreceram-se dessa forma de organizar o mundo como conhecemos e devemos muito a esses modelos curriculares.


No entanto, se construir toda uma gama de protocolos e currículos escolares hiper estruturado foi ótima para um mundo mais estático, essa forma de organizar o conhecimento não é mais tão eficiente para um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA, no acrônimo em inglês) que vivemos.
Todo século XX foi um grande ensaio para que uma forma de pensar mais integrada se estabelecesse. A grande mobilidade decorrente dos meios de transporte urbano e a imediata conexão global decorrente dos meios de comunicação trouxeram aos indivíduos e a sociedade uma intensa troca de conhecimento, subjetividades e valores culturais sem precedentes. O ciclo da natureza não era mais o único agente de previsibilidade e imprevisibilidade. Novos elementos desequilibrantes do cotidiano surgem mais rápidos que as estações do ano, mais contundentes que uma tempestade. Ideias como a Teoria do Caos, na Química, a Hipótese de Gaia, na Biologia, o Pensamento Complexo, na Filosofia e a Modernidade Líquida, na Sociologia, puseram em dúvida um modelo de pensamento baseado no paradigma da especialização.


Muitos fenômenos complexos do século passado e do início dos anos 2000 exigem mais do que uma visão fragmentada para sua compreensão: a crise econômica de 1929, o lançamento da bomba atômica, o ataque terrorista das torres gêmeas ou a quebra econômica de 2008 são fenômenos complexos por excelência e demandam explicações ancoradas em diferentes pontos de vistas, conectados e integrados, para serem compreendidas.
Agora, um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta é o contágio planetário do coronavírus. A rápida mudança de comportamento social, psicológico, econômico e comportamental que a pandemia nos infligiu evidencia dramaticamente que os paradigmas milenares de pensamento devem ser revistos e que todo o pensamento gestado sobre a complexidade deve ser utilizado para compreensão da nova realidade.
A escola precisará decisivamente discutir o modelo com que forma as novas gerações, ainda predominantemente influenciada pelos paradigmas da linearidade, fragmentação de tempos e espaços e hierarquias de poder e de conhecimento. As reformas educacionais no mundo vêm apontando para a necessidade de um pensamento mais aberto, desenvolvido coletivamente e focado na complexidade e na integralidade do ser. Conceitos curriculares como o trabalho por projetos, orientações por temas transversais, resolução de problemas ou análise de casos são importantes elementos para reconfigurarmos modos de pensar, agir e sentir frente às emergências do mundo. As crises sistêmicas serão o novo normal, no campo sanitário, político, econômico, ambiental, nas relações urbanas ou em qualquer área do fazer humano.

*Texto originalmente publicado na edição 158 da revista Direcional Escolas

É possível uma Educação Infantil a distância?

É possível uma Educação Infantil a distância?

Nos últimos webinários que a Fundação Santillana organizou, o tema da Educação Infantil em tempos de pandemia apareceu sistematicamente nas perguntas e comentários de professores, gestores e pais que nos acompanham. Com desafios bastante específicos, que vão desde a necessidade de acompanhamento dos pais para realizar atividades, perigos do excesso de exposição às telas, e a importância da vivência de experiências, a Educação Infantil demanda um planejamento especial, principalmente durante o isolamento social.

Para debater este tema, convidamos Beatriz Cardoso, doutora em Educação e presidente do Laboratório de Educação, e Rogério Morais, secretário-executivo para a Primeira Infância do Recife, para refletir ao lado de André Lázaro e Miguel Thompson, que conduzem o bate-papo.

Confira no vídeo:

A escola que virá

A escola que virá

Iniciativa da Fundação Santillana convida a refletir sobre o futuro da educação na Ibero-América sob os impactos da COVID-19

Uma instituição como a Fundação Santillana, dedicada há várias décadas a promover debate e reflexão para contribuir com a melhoria da qualidade da educação, não pode ignorar o impacto que a crise sanitária está provocando na vida de alunos, professores, centros educativos, famílias e administrações educacionais. Não pode pelo seu compromisso com a educação na Ibero-América; não pode pela sua vocação de dar visibilidade a vozes e experiências que enriqueçam as análises e as propostas; não pode porque estamos diante de uma situação absolutamente desconhecida e inédita que precisa de respostas; não pode porque estamos perante uma modificação do paradigma educacional. Não pode porque o que temos diante é um desafio de enorme importância em relação à forma como entendemos o conceito de educação.

Para enfrentar essa situação de emergência e o confinamento, nos vimos obrigados a improvisar durante o caminho, a perguntar aos colegas, a inventar soluções, a utilizar ferramentas com pouca competência… E, evidentemente, a dar o melhor de nós mesmos como instituição, como professor, como pai de família. E, como resultado, todos tivemos uma nova experiência da qual também tiramos lições e aprendizados. Por exemplo, conhecemos o valor das tecnologias para a educação, questão sobre a qual se falava há uma década e meia, e que ainda não tinha sido capaz de encontrar seu lugar nas salas de aula de forma sólida e duradoura. Do mesmo modo, podemos ilustrar esta vivência com a realidade oposta: descobrimos o infinito valor das relações pessoais (com os professores, com os colegas de trabalho), valor do qual tivemos que nos ver privados para reconhecer a importância que, talvez, até agora estava escondida na cotidianidade como uma rotina mais. Passamos a sentir falta de algo tão simples quanto ir todas as manhãs à escola; sentimos falta de algo trivial como contar com a presença dificilmente substituível de um professor. Definitivamente, aprendemos em um duplo sentido: sobre o novo que surgiu (a distância) e sobre o que já tínhamos e considerávamos em crise de obsolescência.

Deveríamos aproveitar a oportunidade para fazer um exercício de equilíbrio, fugindo tanto de visões apocalípticas como do efeito pêndulo, ambos tão próprios do mundo educativo. E deveríamos tirar um tempo para refletir com calma e com profundidade, para abrir a comunidade educativa a outras vozes, para envolver as políticas da educação… Já não há desculpas para não encarar a definição de o que e como deve ser a educação do século XXI. O que mais vamos esperar? Vivemos uma transformação de dimensões históricas com a globalização e a Sociedade da Internet; agora enfrentamos uma pandemia que nos obrigou a construir de forma improvisada um sistema educacional paralelo, tarefa para a qual não estávamos preparados.

A Fundação imagina uma volta à normalidade (ou à “nova normalidade”) na qual se produza de forma natural uma convivência entre a escola existente (presencial) e a escola tecnológica (digital, virtual, a distância, assíncrona) para, com ambas as realidades, criar “a educação que virá” e colocar em andamento um programa para gerar um ponto de encontro para abordar esta questão. O que vamos obter será um ponto de vista, uma proposta que aspira a se juntar a outras e, por isso, abordaremos esta iniciativa contando com a colaboração de instituições e órgãos internacionais. As circunstâncias, nunca antes vividas (talvez nem sequer concebidas), levaram todos os agentes da comunidade educativa a se verem igualmente envolvidos em uma experiência educacional inédita, que deveria gerar um “mínimo comum”, um acordo tácito sobre a necessidade de definir um novo paradigma, integrador, sintético, equilibrado, no qual cada forma de fazer educação tenha seu lugar por ser pertinente (e não pela modernidade), por sua eficácia (e não pela inércia de mudar por inovar), por ter sentido pedagógico e educativo.

É um momento decisivo. É uma reflexão obrigatória. É uma oportunidade de fazer isso dialogando. É a oportunidade para fazer isso com base na experiência vivida e não em teorias. É uma oportunidade para fazer isso juntos e tornar realidade essa aspiração da Fundação Santillana: “A educação que nos une”.

Faça o download da apresentação aqui.

 


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Políticas educacionais pós-pandemia

Políticas educacionais pós-pandemia

Com a presença de Priscila Cruz, bate-papo abordou os desafios da educação brasileira frente à pandemia e à desigualdade

No dia mundial da educação André Lázaro, diretor de Políticas Públicas da Fundação Santillana, e Miguel Thompson, diretor Acadêmico, receberam Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação, para um bate papo online ao vivo, sobre os desafios que a educação enfrentará em uma sociedade impactada pela pandemia de coronavírus.

Enquanto especialistas reúnem esforços para avaliar as consequências no campo da educação, questionam também que, voltar ao modelo praticado até então, não seria produtivo. Será esta a janela para construir um “novo normal” na educação brasileira?

Confira o webinar completo:

O papel da escola em uma sociedade pós-corona

O papel da escola em uma sociedade pós-corona

Webinário reuniu especialistas em gestão escolar para refletir sobre os caminhos possíveis para o retorno ao que chamam de “nova normalidade”

André Lázaro, diretor de Políticas Públicas da Fundação Santillana, e Miguel Thompson, diretor Acadêmico, receberam Anna Helena Altenfelder e Tereza Perez para um bate-papo online ao vivo.

Tereza Perez é diretora-presidente da Comunidade Educativa CEDAC, e Anna Helena Altenfelder é presidente do Conselho de Administração Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária).

Na conversa, abordaram temas como a BNCC em tempos de suspensão das atividades presenciais nas escolas, desafios da educação infantil e das políticas de alfabetização, e a articulação do terceiro setor nesse momento.

A questão provocadora do debate foi: que futuro vocês imaginam para nossa educação e nossas escolas pós-pandemia? Qual será o “novo normal”, e para qual “normalidade” não queremos voltar?

Confira o webinar completo:

Ação das redes municipais em defesa do direito à educação

Ação das redes municipais em defesa do direito à educação

Em encontro virtual, Fundação Santillana recebe o presidente da Undime para conversa sobre os desafios das redes municipais com o isolamento social

André Lázaro, diretor de Políticas Públicas da Fundação Santillana, e Miguel Thompson, diretor Acadêmico, receberam o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz Miguel Martins Garcia, para um bate-papo online ao vivo, transmitido no Facebook e no YouTube.

Na conversa, abordaram as ações das redes municipais de ensino em defesa do direito à educação, no contexto da pandemia do coronavírus. O que as escolas municipais estão fazendo neste momento? O que está sendo planejado para a volta às aulas? Como a sociedade civil pode colaborar?

Confira o webinar completo:

O gestor como designer

O gestor como designer

A crise do coronavírus provocou um conjunto de ações que demonstram claramente que devemos buscar soluções de forma coletiva e colaborativa

Por Miguel Thompson, Diretor Acadêmico da Fundação Santillana no Brasil*

Um dos grandes objetivos da escola contemporânea é a formação do ser humano integral. A integralidade que se almeja é a expressão de um ser humano em suas múltiplas dimensões, satisfeito com sua individualidade – mas também a de um cidadão empático, vinculado à sociedade.

A escola deve refletir esse desejo em seu cotidiano, como parte integrante de seus valores e de suas práticas. Promover uma gestão coletiva onde cada participante contribua com sua sabedoria e experiência é um ótimo exemplo para a comunidade escolar.

No entanto, não é difícil, ao propor uma gestão coletiva, que se caia em um processo de assembleísmo, onde pontos de vistas divergentes não encontrem sínteses práticas, onde colaboradores pouco acostumados à participação coletiva não se expressem, onde personalidades mais fortes imponham seus pontos de vista e onde hierarquias sejam impostas ao grupo.

Construir uma estratégia colaborativa, em vez de uma solução, pode se tornar um grande problema. No entanto, nesse mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA, no acrônimo em inglês), não se pode mais abrir mão da experiência e do conhecimento existentes em cada um dos integrantes da comunidade escolar (dirigentes, professores, funcionários administrativos e famílias).

A crise do coronavírus provocou um conjunto de ações que demonstram claramente que a complexidade exige a força de todos. Não podemos nos enganar: as crises serão o novo normal. Da saúde psicológica dos estudantes às mudanças climáticas, da aleatoriedade da economia, aos humores políticos.

Assim, o uso de ferramentais de gestão da coletividade, como a organização de conversas, o fluxo de opiniões e argumentações, o registro de ideias, e mesmo a simples elaboração de atas e de pautas tornam-se fundamentais para que a escola não se perca. Para isso, hoje existem muitas formas de gerir a expressão coletiva, seus desejos e propostas, sem abrir mão da eficiência administrativa e da rapidez na tomada de decisões.

Uma das abordagens mais interessantes é o Design Thinking (DT). Ultrapassando ao modismo, debruçar-se sobre essa abordagem como forma de aperfeiçoamento da escola pode ser uma excelente possibilidade para evitarmos dissipação de energia da comunidade e ganharmos assertividade nas decisões. O DT busca a solução de problemas de forma coletiva e colaborativa, em que as pessoas são colocadas no centro. O processo consiste em tentar mapear e mesclar a experiência cultural e o ponto de vista de todas as pessoas, no intuito de obter uma análise ampliada de determinado contexto e uma síntese coletiva, visando melhor identificar as barreiras e gerar alternativas viáveis para transpô-las.

Essa abordagem se aproxima muito das ideias e práticas do mundo da educação humanista: a valorização do conhecimento do aprendiz, típica do pensamento piagetiano, o investimento na experiência e na resolução de problemas práticos, professado por John Dewey, o valor da cultura comunitária, presente em Vygotsky, o trabalho de campo, típico do pensamento de Freinetiano. Podemos nos reconhecer como designers e educadores nessa abordagem coletiva de resolução de problemas.

Muitas escolas têm usado o DT como forma de encaminhar suas questões internas. Como exemplo, lembro o trabalho desenvolvido pelo Colégio Rio Branco de São Paulo, liderado pela diretora geral Esther Carvalho. Foi usado para as discussões estratégicas e a organização de novos espaços educativos, e vem sendo usado cotidianamente para o planejamento de ações pedagógicas.

Há muitas outras abordagens e métodos que podem ser aplicados para uma gestão coletiva eficiente. No mundo contemporâneo, o importante é colocarmos como valor central os talentos individuais, o esforço coletivo, a gestão horizontal, o respeito a todos os pontos de vista e a certeza de que só poderemos formar seres integrais e enfrentar os fenômenos como o coronavírus através da colaboração, da empatia e do respeito ao próximo. O gestor como designer, conectando diferentes campos do conhecimento, estimulando a criatividade e o potencial dos seus colaboradores, passa a ser um talentoso contador de historias, cuja habilidade é mensurada por sua capacidade de elaborar uma narrativa coerente, verossímil e inspiradora que movimente toda a comunidade.

LEITURAS SUGERIDAS: https://endeavor.org.br/tecnologia/design-thinking-inovacao/ pesquisado em 29 de março de 2020.

Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretarmos o fim das velhas ideias. Tim Brown com Barry Katz. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

*Texto publicando originalmente na edição 266 da Revista Educação

Reflexões para um mundo pós-pandemia: o que podemos fazer como educadores?

Reflexões para um mundo pós-pandemia: o que podemos fazer como educadores?

André Lázaro e Miguel Thompson participaram de webinar sobre os desafios de pensar a educação durante e após a crise causada pelo coronavírus

A Fundação Santillana promoveu uma conversa online com seus dois diretores no Brasil para refletir sobre o papel da educação em meio à pandemia do coronavírus. Com escolas fechadas sem data para abrir, e a interrupção de parte dos serviços, novas questões surgem no cenário educacional, e promovem questionamentos sobre o papel da escola e dos professores.

Ainda que a situação seja inédita, as transformações pelas quais a sociedade passa neste momento não começaram com esta crise, defendem André Lázaro, Diretor de Políticas Públicas da Fundação, e Miguel Thompson, Diretor Acadêmico. A pandemia escancara desafios latentes, e o isolamento social propicia debates sobre saídas fraternas para uma situação sem precedentes.

O debate foi apoiado nos argumentos do livro “O que é preciso aprender hoje? Da escola das respostas à escola das perguntas”, escrito pelo pesquisador Axel Rivas e publicado pela Fundação Santillana em 2019. Na obra, autor propõe questões-chave para repensar um modelo de escola “sem esquecer o que há de bom na base que vem do passado, [...] descobrir como preparar os estudantes para que consigam fazer boas perguntas e tenham coragem de buscar as respostas. Isso envolve a decisão sobre o que é preciso ensinar e aprender, o que, por sua vez, exige muito diálogo entre professores, especialistas em Educação, políticos e os próprios alunos”. O livro está disponível para download gratuito.

Para Thompson, a escola “já estava se revendo, e o corona traz um conflito sistêmico, porque não é só a economia, tem a questão sanitária, e mais outras. E como se fosse um filme de suspense, a gente tem uma virada sensacional. Tudo aquilo que estava sendo condenado – O SUS, os professores, a Universidade, a ciência, a globalização -, é o que sustenta o atravessamento da crise”, afirma.

Diante deste cenário, Lázaro compartilha das dúvidas dos professores: “O que podemos fazer como educadores? Esta pergunta tem nos acompanhado com certo grau de angústia, mas certamente ninguém tem uma resposta serena para nos dizer”. O caminho apontado por Lázaro retoma as ideias de Rivas. Segundo eles, há duas questões fundamentais para se pensar a escola: a cultura científica e a cultura humanística. A cultura científica, que é a cultura da pesquisa, da busca, de verdades provisórias apoiadas em argumentos. E o lugar da socialização, para que a escola se firme como o espaço onde se aprende a resolver conflitos na base do diálogo, onde se aprende a conviver com as diferenças.

Confira a gravação completa do Webinar no vídeo:


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Programar uma aula como quem conta um conto

Programar uma aula como quem conta um conto*

Miguel Thompson, Diretor Acadêmico da Fundação Santillana no Brasil.

A cultura é um dos elementos distintivos de nossa espécie. Transmitir informação de uma geração à outra, transformá-la em conhecimento para dar significado ao mundo que nos cerca e desenvolver tecnologia para a resolução dos problemas emergentes, compõe nosso patrimônio cultural. Inicialmente, a aquisição desse conhecimento se deu pela transmissão oral, e associada às narrativas dramáticas, aventurescas, fantásticas ou mesmo de cunho prático, para prevenir os perigos da vida. A tradição oral ocidental foi compilada em diversas culturas, tendo como um dos grandes exemplos a Ilíada e a Odisseia (Homero), e a Teogonia (Hesíodo), nas quais se perpetuaram as aventuras de heróis e deuses gregos. A partir da narrativa se aprende e se imagina outras possibilidades para as histórias, se fantasia e se cria.

No entanto, na Modernidade, a ideia de narrativa como elemento central de aprendizagem foi dando espaço para uma transmissão de conhecimento baseada em listas de conteúdos. O Iluminismo, corrente filosófica iniciada no século XVII, aprofunda uma reflexão que coloca razão e ciência como elementos estruturantes da cultura. Seu ramo editorial, o Enciclopedismo, foi um movimento que se propôs a organizar o conhecimento em especialidades, listas, tópicos e esquemas. A escola pública começa a se estruturar influenciada por esse movimento. Podemos afirmar que as disciplinas escolares são filhas dessas enciclopédias. Esse modelo de transmissão e de produção foi fundamental para a verticalização e desenvolvimento das especialidades do conhecimento. O século XIX foi pródigo no estabelecimento de ciências como a Física, a Biologia, a Geologia e a Sociologia.

No mesmo período, a Revolução Industrial amplia a demanda de trabalhadores para as fábricas e serviços exigidos por um rápido processo de Urbanização e Globalização. A educação em escala ganha especial atenção, com o objetivo de formar mão de obra qualificada. Desta forma, é estabelecida a escola como conhecemos hoje: uma cultura fabril, amplificada pelo Fordismo do início do século XX, estruturada a partir do Iluminismo e do Enciclopedismo, nos afastando paulatinamente da narrativa e da fabulação que durante milênios nos serviu como elemento de compreensão do mundo.

Se durante boa parte do século XX esse modelo se mostrou satisfatório, já a partir do final da Segunda Guerra o cenário se modifica. A complexidade decorrente da ampliação de mobilidade das pessoas, e os meios de comunicação com abrangência global desafiam a escola a buscar novas possibilidades educacionais. A sociedade pós-industrial exige cada vez mais a capacidade de transpor conhecimentos específicos para situações emergentes. De fato, as novas gerações vêm construindo um embrionário processo de aprendizagem a partir das narrativas oferecidas pela cultura pop: youtubers carismáticos, seriados e documentários da Netflix, aventuras dos games e softwares educacionais gamificados, ou os memes distribuídos em seus celulares.

Os meios de produção cada vez mais se conectam às narrativas para construir suas marcas (branding), formar seus executivos (cases), vender seus produtos (storytelling) ou mesmo conseguir financiamentos para suas startups (pitches).

Dessa forma, construir os currículos como narrativa pode ser um dos grandes achados para trazermos significado para o processo de ensino-aprendizagem. Programar uma aula como quem conta um conto nos reconecta com uma tradição humana abandonada pelo modelo Enciclopedista e Fordista. O objetivo não é negar esses importantes modelos, que nos fez avançar muito enquanto civilização, mas temperar nossas didáticas com essas inquietações humanas que nos fazem avançar em busca de um ser humano integral e da Utopia. A BNCC traz muitas pistas para a construção de narrativas, nas propostas de trabalhos por temas, o desenvolvimento de projetos o a resolução de problemas. A história de Ulisses, ou mesmo os desafios de Hércules, não seriam tão saborosas não fossem os muitos problemas desenhados pelos deuses para que os heróis pudessem se formar integralmente. Chegou o tempo de preparar nossos estudantes para enfrentar a complexidade e os desafios homéricos do mundo contemporâneo e, como vimos, de todos os tempos.

*Texto originalmente publicado na revista Direcional Escola (abril/2020), da qual o autor é colunista.

Imagens: Jean Galvão / Fundação Santillana

O Professor Curador

O Professor Curador

As fontes utilizadas para preparar as aulas podem ser compartilhadas com os estudantes, que, por sua vez, também contribuem com os conteúdos que gostam em um exercício de colaboração online

Miguel Thompson, Diretor Acadêmico da Fundação Santillana no Brasil

A função de professor vem sofrendo grandes transformações nos últimos tempos. Novos jeitos de se referir à função docente apontam essas mudanças - dos quase sinônimos “mestre” e “educador” às novas denominações, como “facilitador”, “orientador”, “mediador”, “tutor” e tantas outras. Em tempos de pandemia do coronavírus uma dessas funções será fundamental para que possamos continuar com a educação dos jovens: a função de curador.

O professor, que durante muito tempo foi o detentor do saber, passa cada vez mais a se posicionar como um organizador das informações especialmente no oceano digital. Por isso emprestamos a palavra “curador”, antes restrita aos museus e ao circuito das artes e entretenimento.

Com o isolamento domiciliar imposto pela quarentena, a função de curadoria de conteúdos será fundamental para orientar as atividades dos estudantes e suas famílias.

De fato, antes de o professor sair produzindo conteúdos, o que demanda tempo, vale procurar na internet materiais já elaborados, que sejam adequados para a faixa etária que se ensina. Seguramente professores mais experientes já têm um repertório de fontes fidedignas, que utilizam rotineiramente para preparar suas aulas. Os professores mais jovens podem buscar em suas redes sociais auxilio para a elaboração de aulas. Partilhar experiências pode ser um dos grandes benefícios do trabalho de curadoria.

O primeiro passo, então, é buscar as fontes mais confiáveis e rigorosas.

A ideia não é só fornecer informação, mas buscar sites que despertem a curiosidade e estimulem o questionamento, a reflexão e a síntese. Seguramente o professor já tem um rol de referencias usadas na preparação das aulas, e que podem agora ser indicadas para os estudantes.

Estabelecida uma lista de conteúdos em diferentes suportes, como textos, vídeos, games, esquemas e ilustrações, é necessário construir uma narrativa que tenha uma coerência, com começo, meio e fim.

Trilha

Como quem conta uma história, construa uma trilha, com conteúdo adequado para a idade. Vale lembrar que o material deve ter um tamanho apropriado para que o estudante dê conta do percurso em pouco mais que uma aula, ou uma sequência didática, similar àquela que seria feita presencialmente.

Textos com muitas páginas ou filmes com mais de uma hora devem ser acompanhados de roteiros, para que o entendimento se dê passo a passo.

Como sabemos, essa é uma geração que tem muitos estímulos externos e perde o foco rapidamente. Um script de leitura ou de acompanhamento de vídeo contribuirá muito pra a manutenção do foco.

Engajamento

Um dos primeiros elementos da narrativa é o engajamento. Vale buscar fontes que pertençam ao universo infanto-juvenil e fisguem os estudantes. Nesse processo de curadoria vale uma conversa com os próprios estudantes (online, é claro!), pedindo sugestões para o tema que será abordado.

Surpreendentemente, o fácil acesso à informação pode contribuir para que, em uma curadoria coletiva, eles próprios encontrem fontes que associam a cultura jovem ao tema estudado. Encontradas essas fontes engajadoras, seguimos nosso processo de roteirização.

O desenvolvimento do conteúdo pode ser feito a partir de pequenos parágrafos orientadores para cada uma das fontes postadas: uma pequena síntese, o motivo da escolha e algumas questões desafiadoras. Boas questões são aquelas que estimulam a curiosidade, orientam o acompanhamento do objeto selecionado, o entendimento e a reflexão dos jovens.

A sugestão é que essas introduções não tenham mais do que cinco linhas. São os conectores da narrativa, que darão fluência ao estudo dos jovens.

Ao final, o professor pode escolher um site que sintetize todo o estudo, ou mesmo preparar um pequeno texto para o fechamento da aula.

Mais interessante que elaborar novos conteúdos, o professor curador direciona seus esforços para identificar conteúdos existentes e elaborar uma trilha de para o aprendizado dos jovens.

Nessa linha, poderemos passar esse período tão difícil que enfrentaremos sem abrir mão de nossos propósitos de contribuir com a formação das novas gerações, ao mesmo tempo em que aprendemos novas possibilidades didáticas e relacionais que, emergencialmente, podemos utilizar. É certo que em breve estaremos novamente próximos de nossos colegas e alunos para nos abraçarmos amorosamente.

Imagens: Jean Galvão / Fundação Santillana

Construção coletiva de propostas para o Ensino Médio

Construção coletiva de propostas para o Ensino Médio

Organização: FEUSP / ASHOKA / Campanha Nacional pelo Direito à Educação

Edição: Fundação Santillana

Ano: 2019

Material compila propostas que criam caminhos para a construção de um ensino médio democrático, inclusivo, integral e transformador.

Este documento decorre de uma série de encontros em diferentes regiões do país realizados entre outubro de 2018 e junho de 2019, com participação presencial e virtual de estudantes, educadores, pesquisadores, gestores e demais interessados no debate de propostas e busca de convergências em relação às políticas do Ensino Médio no país. O objetivo foi o de coordenar a construção coletiva de propostas para as políticas de Ensino Médio, engajando diversas organizações representativas dos agentes envolvidos e alinhadas em torno de princípios comuns: inclusão, democracia, contemporaneidade/ integralidade e transformação.

Fundação Santillana lança livro sobre a BNCC

Fundação Santillana realiza seminário sobre modelos emergentes de Educação

Nove conselheiros do CNE assinam artigos que documentam processos e demandas da Base Nacional Comum Curricular; lançamento ocorre dia 2 de setembro

São Paulo, 26 de agosto de 2019 - Um aprofundado registro histórico do processo de construção da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Educação Infantil e Ensino Fundamental no Conselho Nacional de Educação (CNE) está organizado na obra BNCC: Educação Infantil e Ensino Fundamental - Processos e demandas no CNE, publicada pela Fundação Santillana. Com artigos de nove dos mais importantes nomes da política educacional, o livro reúne reflexões acerca do tema, e coloca em perspectiva os desafios, sucessos e limitações do processo que culminou no documento que fundamenta as aprendizagens das primeiras etapas do Ensino Básico. O lançamento ocorrerá no dia 2 de setembro, na sede do CNE, a partir das 18h, e contará com a presença dos autores.

Para além do fato histórico, o registro da empreitada fornece um rico material para investigações e ponderações futuras, uma vez que compila pensamentos de figuras-chave da elaboração passados alguns meses da finalização do processo. Os textos registram as discussões sobre questões que, com frequência, se desviaram dos principais problemas da Educação Básica como evasão, repetência e baixa qualidade de ensino-aprendizagem.

Ivan Cláudio Pereira Siqueira, organizador da obra e membro do CNE, explica que a iniciativa de um livro com artigos escritos pelos conselheiros sobre a Educação brasileira surgiu logo após a votação final da base. “A Fundação Santillana propôs ao então presidente do CNE, Eduardo Deschamps, a escrita de um livro pelos conselheiros abarcando as distintas visões sobre o processo. O convite para escrever foi endereçado às conselheiras e aos conselheiros que participaram do percurso de elaboração da BNCC da Educação Infantil e do Ensino Fundamental com oferta de liberdade de escrita. O propósito central era constituir material de ‘viva voz’ desses protagonistas”, afirma Ivan Cláudio.

No artigo “BNCC: a escola, o currículo, a diversidade do Brasil e a sociedade do século 21”, escrito por Eduardo Deschamps, defende-se que, em muitos aspectos, a BNCC só é compreendida por aqueles que possuem formação ou atuam na área educacional. Segundo Deschamps, seria interessante empreender esforços para a elaboração de um documento complementar de leitura acessível aos pais ou responsáveis pelos estudantes, para permitir um acompanhamento mais próximo do processo de desenvolvimento de seus filhos.

Segundo o texto de Cesar Callegari, ex-presidente da Comissão da BNCC, a reforma do Ensino Médio e a Base precisam ser mais amplamente discutidas. Para ele, a defesa de uma Base como expressão dos direitos de aprendizagem preconiza sua enunciação para todo o Ensino Médio e não apenas para uma parte dele. “Os próximos tempos decerto revelarão se o que se produziu como BNCC, bem como o posicionamento dos diferentes atores nesse processo, terá representado, de fato, uma efetiva contribuição para uma Educação de qualidade como direito de todos os brasileiros”, afirma Callegari.

O livro explora ainda temas como a diversidade do Brasil e a autoafirmação da Educação Escolar Indígena. De acordo com o artigo de Gersem Baniwa, não há dados que indiquem a participação de indígenas nos processos de dois anos de consulta sobre a BNCC (2015 e 2016) sob a coordenação do MEC. No entanto, educadores indígenas e especialistas ofereceram importantes contribuições para a revisão do texto da BNCC da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. A publicação vem na sequência de “Subsídios à Elaboração da BNCC: Estudos sobre temas estratégicos da parceria CNE e Unesco”, lançada no ano passado.

O livro “BNCC: Educação Infantil e Ensino Fundamental - Processos e demandas no CNE” está disponível para download gratuito no site da Fundação Santillana: http://mod.lk/bnccedu No site, também é possível consultar e baixar outras obras de referência sobre diversos temas relacionados à Educação brasileira, sempre com acesso gratuito: mod.lk/e-books

Serviço:

Lançamento do livro “BNCC: Educação Infantil e Ensino Fundamental - Processos e demandas no CNE”

Data: 02/09

Local: Conselho Nacional de Educação

Endereço: SGAS, Av. L2 Sul, Quadra 607, Lote 50 - 70200-670 - Brasília - DF | Horário: 18h.


Sobre a Fundação Santillana

A Fundação Santillana realiza e apoia iniciativas que contribuem para o desenvolvimento da Educação e da cultura. Para isso, incentiva a produção e difusão de conhecimento sobre temas centrais das políticas educacionais, do ensino e da aprendizagem.

Sua atuação enfoca a superação das desigualdades educacionais, baseada na certeza de que a Educação é o motor do desenvolvimento de um Brasil mais justo, democrático e sustentável. Por isso, as ações compreendem também a disseminação dos conhecimentos, para que gestores de instituições públicas e privadas, professores e toda a sociedade civil possam estar munidos de informações de qualidade para contribuir com a defesa da Educação de excelência para todos.

Fomenta o debate plural sobre desafios e soluções compartilhados por gestores, professores, pais e alunos em diferentes instâncias e regiões do País por meio da divulgação de análises, ideias, indicadores e boas práticas nas políticas públicas. Também incentiva premiações que buscam a valorização de professores e gestores.

Criada em 1979, atua na Espanha e em cinco países da América Latina. No Brasil desde 2008, trabalha em parceria com organizações nacionais e internacionais no desenvolvimento de projetos e obras de referência nas temáticas educacionais e da cultura.

Assessoria de imprensa

Ana Paula Fonseca – anapaula@danthi.com.br – 11 3812-7393/29 Reinaldo Adri – reinaldo@danthi.com.br – 11 3812-7393/25 Lúcia Martins – lucia@danthi.com.br – 21 3114-0779

Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019

Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019

Organização: Editora Moderna / Todos Pela Educação

Edição: Editora Moderna

Ano: 2019

Compilação dos dados estatísticos mais recentes disponíveis, indicadores e análises do cenário educacional brasileiro.

O volume é um valioso instrumento de consulta e de acompanhamento da evolução da qualidade da Educação no País, contribuindo para qualificar o debate e enriquecer a compreensão sobre as conquistas das décadas recentes, o quadro atual e as perspectivas futuras no ensino que é oferecido às crianças e aos jovens de todo o País. 

Ao mesmo tempo, é fundamental ressaltar que a proposta do Anuário vai muito além da compilação de dados estatísticos sobre a Educação brasileira. Por meio de indicadores e análises, bem como de cruzamentos a partir da base de microdados, buscamos apresentar um painel abrangente do cenário educacional. 

Nesse retrato, destaca-se um dos principais focos desta produção, que é jogar luzes sobre a grande desigualdade de oportunidades no acesso à Educação de qualidade. O Anuário adota como eixo estrutural o Plano Nacional de Educação (PNE) 2014- 2024, com suas 20 metas, que abrangem as várias etapas e modalidades de ensino, assim como a valorização dos professores, a gestão democrática e o financiamento do ensino público. 

Acima de tudo, queremos que o Anuário seja entendido como um serviço para a sociedade brasileira. Uma obra de referência que possa ser utilizada por seus diferentes públicos de interesse – jornalistas, pesquisadores e gestores, entre outros – no esforço coletivo de construção da Educação que almejamos para o Brasil, acima de qualquer contexto social, político e econômico.

Sem Educação não haverá futuro: uma radiografia das lições, experiências e demandas deste início de século 21

Sem Educação não haverá futuro: uma radiografia das lições, experiências e demandas deste início de século 21

Autor: Mozart Neves Ramos

Edição: Fundação Santillana / Editora Moderna

Parceria: Comunidade Educativa CEDAC

Ano: 2018

Livro reúne artigos sobre a Educação brasileira, a compreensão de seus avanços e desafios, e sugestões de aperfeiçoamento das políticas públicas.

O título do livro sintetiza bem a linha de pensamento do autor: Sem Educação não haverá futuro. Os 21 capítulos tratam de variados temas, da primeira infância à internacionalização das universidades, passando por análises da Educação na América Latina e experiências de sucesso no Brasil e no mundo.

Reúne uma coletânea atualizada e ampliada de alguns artigos de opinião que o autor publicou nos últimos três anos, sobretudo no Correio Braziliense e na IstoÉ, edição on-line. Como diz o subtítulo, ele procura apresentar uma radiografia das lições, experiências e demandas deste início de século nas áreas da Educação Básica e da Educação Superior, com foco particularmente no que ocorreu no País, mas sem deixar de lado algumas nações que vêm se destacando, e tomando como referência os resultados das avaliações internacionais.

Entre os destaques estão quatro grandes temas discutidos nos artigos do livro para o enfrentamento da agenda prioritária da Educação: o desafio da alfabetização; a questão da equidade e da qualidade do ensino; a formação de professores; e a preparação dos jovens para o mundo do trabalho.

O livro Sem Educação não haverá futuro é um convite ao debate e certamente provocará os leitores a proporem novas ideias para o futuro da Educação brasileira.

Educação em Debate: Um panorama abrangente e plural sobre os desafios da área para 2019-2022 em 46 artigos

Educação em Debate: Um panorama abrangente e plural sobre os desafios da área para 2019-2022 em 46 artigos

Organização: Editora Moderna / Todos Pela Educação

Edição: Editora Moderna

Ano: 2018

Artigos reúnem propostas que qualificam a discussão de ideias e soluções, baseadas em evidências, que possam impulsionar a qualidade da Educação.

A fim de fomentar e ampliar ainda mais o debate que embasou o Educação Já, o Todos Pela Educação, a Editora Moderna e a Fundação Santillana organizaram esta publicação, agregando propostas de grandes nomes da Educação brasileira com foco em políticas para a melhoria da qualidade de nosso sistema de ensino.

O convite a esses ilustres autores, acostumados a pensar nossa Educação, pedia que eles estabelecessem uma prioridade para a área no período 2019-2022, desenvolvendo-a na forma de artigo. Nossa intenção era de que os textos tivessem uma argumentação propositiva, independente de variáveis político-ideológicas. Desse modo, construído com base em um rico processo de escuta, acreditamos que este livro fortalece a pluralidade de ideias que sempre pautou o trabalho do movimento e da Editora Moderna. 

É preciso dizer que essa escuta ativa e empática não se encerra aqui. Esperamos que esta obra cumpra o papel de inspirar todos os atores envolvidos com a Educação brasileira pública, colocando em debate esse tema tão fundamental para que construamos e tenhamos, em um futuro próximo, um Brasil menos desigual, mais justo, menos corrupto, mais saudável e mais seguro.

Razões e desafios do gestor da Educação: Dez entrevistas sobre a prática da Gestão Educacional

Razões e desafios do gestor da Educação: Dez entrevistas sobre a prática da Gestão Educacional

Organização: Cenpec

Edição: Fundação Santillana / Editora Moderna

Ano: 2018

Livro explora a “cabeça do gestor” por meio de entrevistas com educadores notáveis, de trajetórias e posições político-pedagógicas distintas.

O que faz um gestor educacional? Quem é ele? Como pensa e toma decisões? Sob que constrições? Que saberes e habilidades mobiliza para atuar frente às redes públicas de ensino? De que maneira se posiciona diante dos conflitos e das escolhas inerentes a sua atuação?

A publicação traz entrevistas com um grupo de dez educadores notáveis: Binho Marques, André de Figueiredo Lázaro, Joaquim Bento Feijão, Rita Coelho, Maurício Holanda Maia, Maria Helena Guimarães de Castro, Pilar Lacerda, José Henrique Paim Fernandes, Macaé Evaristo e Frederico da Costa Amâncio.

Eles trabalharam em diversas esferas públicas – federal, estadual e municipal –, têm trajetórias ímpares e posições político-pedagógicas distintas. Alguns são odiados e amados; outros, amados e odiados. E há aqueles que foram professores das redes que depois dirigiram.

No entanto, uma coisa todos têm em comum: nas últimas décadas da história da Educação brasileira estiveram à frente das principais experiências de mudança educacional, no centro de importantes implementações de políticas públicas, concebendo-as e/ou implementando-as para responder às necessidades do contexto e da Educação pública, enfrentando situações conflituosas e dificuldades da (má) estrutura do setor.

O objetivo deste trabalho é que os depoimentos contribuam para a reflexão e para a formação de gestores educacionais, dando visibilidade aos questionamentos teóricos daqueles que enfrentaram e enfrentam, cotidianamente, os dilemas das políticas de Educação no Brasil.

Subsídios à elaboração da BNCC: Estudos sobre temas estratégicos da parceria CNE e Unesco

Subsídios à elaboração da BNCC: Estudos sobre temas estratégicos da parceria CNE e Unesco

Autor: Ivan Cláudio Pereira Siqueira

Edição: Fundação Santillana

Parceria: Conselho Nacional de Educação

Ano: 2018

Livro reúne registros utilizados pelo CNE em parceria com a Unesco para subsidiar, aclarar conceitos e sugerir caminhos para temas da BNCC.

A publicação traz entrevistas com um grupo de dez educadores notáveis: Binho Marques, André de Figueiredo Lázaro, Joaquim Bento Feijão, Rita Coelho, Maurício Holanda Maia, Maria Helena Guimarães de Castro, Pilar Lacerda, José Henrique Paim Fernandes, Macaé Evaristo e Frederico da Costa Amâncio.

Mesmo considerando que são intransferíveis as sociabilidades e experiências históricas que emolduram as culturas nas quais as instituições escolares e seus modelos de Educação se sedimentam, não podíamos esquecer o caráter globalizante e a consistência similar das arquiteturas que produzem as circunstâncias mais apropriadas para o aprendizado em muitos lugares do mundo. Somos diferentes, mas somos humanos. Até porque já vai longe a possibilidade de um projeto de Educação ensimesmado, que desconsidere as dinâmicas globais e os imperativos de um ensino para um cenário em que a aldeia é global.

Os estudos aqui reunidos são parte dessa conjuntura. Reelaboradas para compor os capítulos deste livro, as pesquisas são colocadas à disposição dos educadores e da sociedade brasileira em formato destinado a um público mais amplo.

11º Prêmio Professores do Brasil – Finalistas 2018

11º Prêmio Professores do Brasil - Finalistas 2018

Organização: Ministério da Educação

Edição: Fundação Santillana

Ano: 2018

Volume reúne relatos de experiências de professores de todas as regiões do Brasil, finalistas do 11º Prêmio Professores do Brasil.

A 11ª edição do Prêmio recebeu mais de 4 mil trabalhos inscritos, que apresentaram uma multiplicidade de formas, conteúdos, envolvimento, resultados, cooperação, encantamento, aprendizagem, trocas e, principalmente, crescimento.

Avaliar cada um dos trabalhos exigiu, de todos os envolvidos, um olhar para os aspectos que tornam esse prêmio singular: a possibilidade de replicar a prática pedagógica descrita. São os relatos de quem faz a Educação acontecer em sala de aula que nos inspiram e fortalecem ainda mais a crença de que é possível uma Educação de qualidade para nossas crianças e nossos jovens.

O objetivo é que a divulgação dos projetos motive outros professores a continuar a busca do conhecimento e da troca de experiências, que é, sem dúvida, a melhor alternativa para criar possibilidades de escolha e atender aos diferentes momentos da dinâmica da sala de aula. Repensar a prática pedagógica leva a novos caminhos, e compartilhar experiências no Prêmio Professores do Brasil contagia seus pares a participar das próximas edições.

Primeira Classe: Como construir uma escola de qualidade para o século XXI

Primeira Classe: Como construir uma escola de qualidade para o século XXI

Autor: Andreas Schleicher

Edição: Fundação Santillana / OCDE

Ano: 2018

Livro compila experiências educacionais bem-sucedidas de líderes educacionais de 70 países, relatadas pelo criador do PISA.

Se alguns países poderiam implementar políticas para aumentar bons resultados e poderiam eliminar a divisão social nos resultados escolares, por que outros países não conseguiriam fazê-lo?

Num mundo em que as coisas fáceis de ensinar e testar também se tornaram fáceis de digitalizar e automatizar, nossa imaginação, nossa consciência e nosso senso de responsabilidade é que nos darão condições de aproveitar as oportunidades do século XXI para tornar o mundo melhor. As escolas de amanhã terão de ajudar os estudantes a pensar por si mesmos e a se juntar de forma empática a outros, no trabalho e na cidadania. Elas terão de ajudar os alunos a desenvolver um forte senso de certo e errado e sensibilidade às reivindicações de outros.

E do que as escolas necessitam para conseguir fazer isso? Andreas Schleicher, criador do Programa para a Avaliação Internacional de Estudantes (PISA) e uma autoridade internacional em política educacional, acompanhou líderes educacionais em mais de 70 países em seus esforços para criar e implementar políticas e práticas orientadas para o futuro.

Embora a melhora em Educação seja muito mais fácil de proclamar que de atingir, neste livro Schleicher analisa o máximo de casos bem-sucedidos com os quais podemos aprender. Isso não quer dizer “copiar e colar” soluções de outras escolas ou países, mas principalmente encarar com seriedade e de forma objetiva as boas práticas em nosso próprio país e nos demais, para compreender o que funciona e em que contextos.

 

Educação em pauta nas redações: a cobertura jornalística da educação – 2ª edição

Educação em pauta nas redações: a cobertura jornalística da educação - 2ª edição

Organização: Jeduca

Edição: Fundação Santillana / Editora Moderna

Ano: 2018

Guia reúne os principais desafios da Educação brasileira, e fornece subsídios técnicos e conceituais para reportagens e debates públicos.

Mesmo a Educação sendo uma área estratégica para o desenvolvimento do País, ainda não recebe na imprensa brasileira a mesma atenção que os assuntos de política, economia e esportes, por exemplo.

Neste guia, você vai encontrar subsídios técnicos e conceituais, além de dados numéricos que podem ser usados como referências para matérias de diversos assuntos. A intenção é fornecer informações, de forma clara e imparcial, para facilitar a produção jornalística.

Hoje, os grandes investimentos jornalísticos na área da Educação são menos frequentes. Mas, mesmo com a atual crise econômica e também da imprensa, com redução de profissionais nas redações, as matérias de Educação mantêm o prestígio e o interesse do público. A formação dos jornalistas que pretendem trabalhar na área, no entanto, não trilhou o mesmo caminho. Não há disciplinas de jornalismo de Educação nas faculdades nem cursos, mesmo que esporádicos, financiados por veículos de imprensa.

Educação nas eleições: guia de cobertura

Educação nas eleições: guia de cobertura

Organização: Jeduca

Edição: Fundação Santillana / Editora Moderna

Ano: 2018

Guia compila conceitos básicos e subsídios para o levantamento de pautas e produção de reportagens sobre Educação no contexto eleitoral.

A ideia do guia é colaborar para que Educação esteja mais presente no debate eleitoral de 2018. Por meio e subsídios técnicos e dados, o texto pretende ajudar jornalistas em suas matérias e dar ideias de pauta. Sem a pretensão de produzir um guia definitivo, a Jeduca buscou temas que marcaram presença no debate público nos últimos anos.

O material traz uma memória de campanhas eleitorais recentes e destrincha assuntos que podem surgir nas eleições, como a BNCC, a reforma do Ensino Médio e o Fies. Também há questões mais polêmicas, como doutrinação e bônus para professores, a outras mais técnicas, como mecanismos de financiamento e a valorização docente. Além de informação importantíssima para uma cobertura mais eficiente, a intenção é a de que o jornalista também possa ajudar a incluir a Educação no debate eleitoral deste ano.

Anuário Brasileiro da Educação Básica 2018 (Versão Atualizada)

Anuário Brasileiro da Educação Básica 2018 (Versão Atualizada)

Organização: Editora Moderna / Todos Pela Educação

Edição: Editora Moderna

Ano: 2018

Material oferece uma compilação de dados estatísticos mais recente disponíveis, indicadores e análises do cenário educacional brasileiro.

A proposta do Anuário vai muito além da compilação dos principais dados estatísticos sobre a Educação brasileira. O material é uma narrativa dos nossos desafios enquanto nação na busca por assegurar o direito à aprendizagem. Por isso, as tabelas e gráficos que fazem parte desta edição invariavelmente são acompanhados de textos explicativos, que enfatizam aspectos que precisam ser ressaltados, e também de artigos, com comentários de especialistas sobre grandes temas da Educação.

Há dois focos editoriais principais que se mantêm, a cada edição: o primeiro, naturalmente, diz respeito à própria natureza da publicação, que se orienta para o acompanhamento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024. O segundo foco do Anuário projeta luzes sobre as desigualdades que caracterizam nosso sistema de ensino.

Dessa forma, queremos que o Anuário seja entendido como um serviço para a sociedade brasileira, permitindo a construção de melhores reportagens (para os jornalistas), melhores políticas públicas (para os legisladores e gestores do Executivo), informações de qualidade (para os pesquisadores), pontos de vista mais embasados para todos, ampliando a consciência da sociedade sobre o quadro da Educação brasileira.

BNCC – A Base Nacional Comum Curricular na prática da gestão escolar e pedagógica

BNCC – A Base Nacional Comum Curricular na prática da gestão escolar e pedagógica

Organização: Tereza Perez

Edição: Fundação Santillana / Editora Moderna

Parceria: Comunidade Educativa CEDAC

Ano: 2018

Material dá subsídios para que diretores de instituições de ensino públicas e privadas possam pensar a implementação da BNCC nas escolas.

A publicação foi concebida com o propósito de contribuir para ampliar a reflexão dos gestores escolares e de suas equipes em torno das intencionalidades educativas a serem asseguradas no ensino pautado pelas competências expressas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

A obra se propõe a apoiar as equipes gestoras que se veem diante do desafio de orientar professores na implementação da BNCC e dos novos currículos que serão elaborados à luz dela. No verso da capa do livro, vocês encontram um diagrama que representa a complexa rede de atores mobilizada no processo de ensino e aprendizagem. Ele mostra a articulação que se faz necessária entre as ações desses atores, pois, para que essa engrenagem funcione, todos devem ter como fonte de sentido a aprendizagem das crianças e dos jovens.

Como pano de fundo de todo o livro está a correlação entre a forma de ser, ensinar e agir dos educadores e o modo de ser, aprender e agir das crianças e jovens. A ideia aqui subjacente é que, se queremos que todos os estudantes desenvolvam tais competências ao longo da escolaridade, é preciso que os educadores as coloquem em prática em seu dia a dia e na rotina escolar, para que elas não se transformem apenas em objeto de discurso.

Livro aponta caminhos para promover diálogos entre escolas e famílias

Livro aponta caminhos para promover diálogos entre escolas e famílias

Publicação da Fundação Santillana e da Moderna em parceria com a Comunidade Educativa Cedac sugere roteiros para que escolas conversem sobre problemas com as famílias dos alunos

São Paulo, 3 de junho de 2019 – “Aquela mãe acha que sabe mais que a escola”. “O coordenador fica naquele blá-blá-blá e não resolve nada”. As frases vêm de lados opostos da relação entre família e escola, e fazem parte do cotidiano de quem se preocupa com o que acontece no espaço escolar. Mas como construir soluções para que famílias e escolas possam, juntas, promover a melhor educação para crianças e jovens?

O livro “Diálogo escola-família”, publicado pela Fundação Santillana e pela Moderna em parceria com a Comunidade Educativa Cedac, traz uma série de reflexões sobre esses tipos de problemas, e propõe roteiros para que os temas sejam abordados. Organizada pela educadora Tereza Perez, diretora do Cedac, a obra foi pensada para auxiliar diretores de escolas públicas ou particulares a aprimorar a relação com as famílias dos estudantes.

A partir da história da instituição escolar articulada com a da instituição familiar, são abordadas as mudanças nas demandas sociais que ajudam a entender quem são as crianças, adolescentes e jovens que frequentam a escola no século 21. Em seguida, o livro apresenta situações práticas do cotidiano da gestão escolar, seguidas de uma breve conceitualização sobre os temas trabalhados e de sugestões de caminhos possíveis com base em experiências positivas de ações transformadoras.

Na segunda metade do livro são apresentadas propostas práticas: estratégias para lidar com situações comumente enfrentadas nas escolas. Por exemplo: como lidar com a superproteção de pais em relação aos filhos? Qual é o papel da família em relação à lição de casa? Repleto de diagramas e quadros de ações, o livro parte de casos reais para propor caminhos para que diretores promovam ações em suas realidades.

No final, a obra registra uma experiência real de transformação da relação entre escola e famílias ocorrida no município de Casimiro de Abreu, Rio de Janeiro. É uma amostra de como oferecer um espaço de encontro e manter o diálogo aberto permite trazer para o centro das discussões aquilo que importa para o desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens, fazendo com que educadores e familiares se apoiem, compartilhem desafios e atuem juntos. Inclui, ainda, uma apresentação digital com vários materiais pensados para apoiar a implementação das ações propostas e que pode ser acessada gratuitamente em link disponível no livro.

“Não é fácil nem simples tratar da relação entre escola e famílias, porque, quanto mais conhecemos as duas instituições, mais complexo é explicitar as diferentes possibilidades de tessitura desse relacionamento. Este livro parte do entendimento de que a escola presta um serviço à comunidade e às famílias e é corresponsável por ensinar e educar as crianças, os adolescentes e os jovens. Seja privada ou pública, seu papel e seu compromisso não mudam”, afirma Tereza Perez, organizadora da obra.

O livro “Diálogo escola-família: Parceria para aprendizagem e o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens” está disponível para download gratuito nos sites da Fundação Santillana e da Moderna: https://www.moderna.com.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=8A808A826AE59BA7016B089BE2741698.

Sobre a Fundação Santillana

A Fundação Santillana dedica-se à produção, organização e difusão de informações que contribuam para que a Educação alcance os desejados padrões de qualidade e equidade. Constituída em 1979, atua na Ibero-América e no Brasil, aonde chegou em 2008. Por meio de suas publicações, cursos, seminários e oficinas e de parcerias com organizações nacionais e internacionais, busca compartilhar experiências inovadoras e difundir informações relevantes para a promoção do direito à Educação, componente indispensável para o fortalecimento de sociedades democráticas, justas e sustentáveis.

Sobre a Moderna

A Moderna atua há mais de 50 anos com o compromisso de educar para um mundo em constante movimento, compreendendo cada ecossistema formativo para ajudar a construir projetos de vida alinhados às expectativas de cada indivíduo. Com uma equipe de autores e especialistas que conhecem as necessidades do brasileiro e das instituições de ensino públicas e privadas, a Moderna investe em pesquisas, inovações e novas metodologias para criar e elaborar conteúdos didáticos, literários e projetos educacionais efetivos. Assim, ao lado de escolas e famílias, desenvolvemos habilidades, competências e valores para os desafios pessoais e profissionais que estão por vir.

Desde 2001, como parte da Santillana, grupo editorial e de educação presente em 22 países, a Moderna contribui com projetos sociais de fomento à educação e à cultura, em parceria com a Fundação Santillana e outras entidades do setor. Também apoia a formação de professores e gestores, com a realização de cursos, oficinas e seminários gratuitos e a disponibilização de obras de referência para fomentar reflexões e políticas públicas em prol da melhoria da qualidade do ensino.

Assessoria de imprensa

Ana Paula Fonseca – anapaula@danthi.com.br – 11 3812-7393/29

Reinaldo Adri – reinaldo@danthi.com.br – 11 3812-7393/25

Lúcia Martins – lucia@danthi.com.br – 21 3114-0779

Reflexões sobre Justiça e Educação

Reflexões sobre Justiça e Educação

Organização: Editora Moderna / Todos Pela Educação

Edição: Editora Moderna

Ano: 2017

Obra reúne artigos de especialistas que qualificam o debate sobre o papel do sistema de Justiça na garantia do direito à Educação de qualidade.

O livro é uma iniciativa do Todos Pela Educação para qualificar o debate sobre o papel do sistema de Justiça na garantia do direito à Educação de qualidade. A obra, publicada com o apoio da Editora Moderna, apresenta um estudo sobre a judicialização da Educação Básica no Brasil encomendado pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) à advogada Alessandra Gotti, doutora e mestre em Direito Constitucional.

Em torno dele, especialistas da área educacional, de colegiados representativos da gestão pública, do CNE, do Supremo Tribunal Federal, do Ministério Público e do Ministério Público de Contas traçam um panorama histórico, identificam tendências e expõem reflexões e propostas.

Sobrevivendo nas Redes: Guia do Cidadão

Sobrevivendo nas Redes: Guia do Cidadão

Autores: Bernardo Sorj / Francisco Brito Cruz / Maike Wile dos Santos / Marcio Moretto Ribeiro / Pablo Ortellado

Edição: Fundação Santillana / Editora Moderna

Ano: 2018

Guia apresenta ferramentas digitais utilizadas diariamente por todos, e oferece orientações para interagir de maneira crítica.

Em uma sociedade democrática, a convivência exige disposição para aprender com outras pessoas e capacidade de ouvir opiniões em desacordo com as nossas; é preciso cuidado para não se deixar levar pelo efeito de manada, mantendo-se aberto ao dissenso.

Sem compromisso com correntes partidárias, este guia descreve como funcionam as ferramentas digitais que utilizamos no dia a dia para nos informarmos e posicionarmos politicamente. Ele visa contribuir para o fortalecimento da cultura cívica no Brasil e se destina a todos os cidadãos, mães, pais e professores, pois acreditamos que a capacidade de interagir de maneira crítica e responsável com as informações que circulam na Internet merece um lugar no currículo escolar e em casa, e deve orientar a participação de cada indivíduo no espaço público.

Por um Sistema Nacional de Educação

Por um Sistema Nacional de Educação

Autor: Carlos Roberto Jamil Cury

Edição: Editora Moderna / Fundação Santillana

Parceria: Todos Pela Educação

Ano: 2010

Livro apresenta história do PNE, bem como reflexões do autor sobre o próximo Plano e propostas para um novo documento

O Professor Jamil Cury vai além e entende que o Todos Pela Educação, como movimento da sociedade civil, difundindo suas metas e objetivos por diferentes meios de comunicação, pode ter um papel importante na mobilização social pela Educação.

Para ele, “quando a sociedade civil pega para valer uma determinada bandeira, é difícil que ela não ressoe nos espaços de governo e, portanto, naqueles que são diretamente responsáveis pela execução das políticas públicas”.

Esta publicação, editada em parceria com a Fundação Santillana, traz a íntegra da palestra e uma entrevista exclusiva concedida pelo Professor Jamil Cury ao Todos Pela Educação. Com ela, pretendemos contribuir para a disseminação e a democratização das ideias que nortearão as discussões da próxima Conae e do futuro Plano Nacional de Educação.

A obra apresenta um pouco da história do Plano Nacional de Educação e várias ideias do Professor Jamil Cury para subsidiar a elaboração de um novo PNE (2011—2020) que seja enxuto, federativo, democrático e complementado por uma Lei de Responsabilidade Educacional.